Como O Macaco Gosta De Banana
Boas!
Vasculhei o blog antigo e encontrei um post engraçado ![]()
Transcrevi um excerto do livro “O Homem que mordeu o cão - A revolução”, de Nuno Markl. Vem a propósito da música de José Cid, “Como O Macaco Gosta De Banana”.
Divirtam-se
Vamos então analisar o que está aqui em causa - e não é preciso centrarmo-nos em muitos outros versos da canção. Só no refrão temos muito que analisar criteriosamente. Analisemos os primeiros versos:
Como o macaco gosta de banana,
Eu gosto de tiUma frase apenas, e no entanto já algo de tão estranho se passa aqui. Exactamente, como é que o macaco gosta de banana? O macaco gosta de banana no sentido de gostar de a ingerir, de se alimentar com essa fruta. O macaco não sente amor pela banana. O macaco não quer acasalar com a banana. Os resultados disso, em termos de descendência, deveriam ser desastrosos. Teríamos seres estranhos com casca por fora e pelo por dentro chamados… banacos. Ou… macanas. Arrepiante.
Ora, partindo do princípio que esta é uma canção de amor, que sentido fará, afinal, dizer «como o macaco gosta de banana, eu gosto de ti»? Isto faria sentido se, na verdade, o interprete quisesse descascar a mulher amada e comê-la, - mesmo no sentido canibal - começando pela cabeça e indo por aí a baixo. Ou então às rodelas, com queijo, uma vez que há quem goste de comer banana com queijo. Portanto, os versos «Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti» parecem-me fazer pouco sentido.
Imediatamente a seguir surgem os versos:Escondi um cacho debaixo da cama
E comi, comiOra isto é grave. Portanto, já percebemos, pelo primeiro verso, que o intérprete se refere à mulher amada como sendo a bana e ele o macaco. Certo? Creio que estamos todos de acordo neste ponto. A partir do momento em que ele diz «escondi um cacho debaixo de cama e comi, comi», o que é que está a dizer? Se uma mulher é uma banana, um cacho são várias mulheres. Várias mulheres que este homem escondeu debaixo da cama e foi comendo. Ora uma vez que já tínhamos chegado à conclusão de que esta letra só faz sentido se estivermos a falar de canibalismo, temos que, no fundo, esta canção é sobre um assassino em série. Que foi raptando mulheres, que as foi mantendo debaixo da cama e que as foi comendo.
Vamos em frente, até aos versos seguintes, que dizem:Minha macaca gira e bacana,
O teu focinho é que não me enganaMau. Então afinal, ela é a banana ou é uma macaca? Assim não vamos a lado nenhum. Mas, vamos supor que esta é mesmo uma canção romântica: é impressão minha ou chamar «macaca» à mulher de quem se gosta não é propriamente a coisa mais romântica do mundo? Aqui na música, a coisa até parece que funciona, porque o tom é muito animado. Mas vamos por isto em prática na vida real.
Vamos imaginar, miúdas, que vocês estão com o vosso namorado, ou marido, ou amante, e que ele vos sussurra ao ouvido «Aah, macaca…» Com franqueza. Onde é que um homem pensa chegar ao usar, numa declaração de amor, a palavra «macaca»? Pior ainda se, à palavra «macaca», ele juntar, como acontece nesta canção, a palavra «focinho». Isto é coisa que se diga à mulher amada? «Oh, macaca, que belo focinho.» Não é muito romântico.
Vamos em frente. Os versos que se segue dizem:Pois se a macaca gosta de banana
Tu gostas de mimQuer dizer, aqui a coisa entrou o descontrolo total e completo. Portanto, em definitivo, ela passou a ser a macaca e ele a banana. Por outro lado, entramos aqui no reino do deboche, em que a palavra banana, uma vez que surge agora associada a um homem, parece-me que ganha todo um novo e malicioso significado. E isto choca-me. Choca-me por isto: vamos imaginar um concerto de José Cid. Num momento, temo-lo a cantar, suave e meigo, «amar como Jesus amou, sorrir como Jesus sorriu»; no outro, põe-se a falar de macacas que gostam de bananas?
Finalmente, ele termina o refrão cantando o seguinte:Como o macaco gosta de banana
Eu gosto de tiiiiiiiiiiiiiiMau. Assim ninguém se entende. Afinal de contas, em que ficamos? Quem faz de macaco? Quem faz de banana? Valerá a pena a trabalheira que dá levar este fetiche para a frente?
Sinceramente, parece-me que não. No que toca a esta visão dos macacos e das bananas, José Cid afigura-se demasiado avançado e intelectual para o meu gosto.
Cumps!
Tags: fun, Música
March 20th, 2006 at 14:44
bem…. só podia ser desse senhor… o tal de Nuno Marqueles…
simplesmente genial
fica bem…
May 23rd, 2006 at 20:30
Bem… achei sinceramente fantástica a apreciação á canção!
realmente, não tem assim muita lógica, mas a música está engraçadissima… ! =) ! beijinho*
May 23rd, 2006 at 20:37
Oi Raquel
Bem, não fui eu que escrevi (Foi o grande Nuno Markl). Achei engraçado por aqui
Um beijinho para ti também 
August 30th, 2006 at 1:00
ouve tu n existes seja km for farteim de rir a ler esses teus koemnatrios acerca dos versos ada musika lool axei pk etsava a prokura da letra da musika! a serio lool
August 30th, 2006 at 1:03
Bom, a verdade é que o texto não é da minha autoria
É da autoria do grande Nuno Markl
Cumps
November 22nd, 2007 at 23:03
O comentario esta excelente !
faz tudo muito sentido - PARABÉNS !